“Meu filho, se esta casa cair, vocês vão se reunir lá fora, olhando para o céu estrelado, e vão continuar trabalhando. Mas se a corrente se dissolver, o terreiro, mesmo belo e sólido, vai fechar. Na verdade acho a corrente mais merecedora de cuidados que estas paredes frias. Nunca trabalhei sozinho, só com a corrente. Quem trabalha sozinho, um dia ou outro, vai se complicar”.

Palavras de Pai Maneco

Ser Umbandista…

 

Ser umbandista é mais do que ir ao terreiro e incorporar. Ser umbandista é perceber as energias que vem da natureza, é acreditar em nossas percepções, é acreditar que estamos acompanhados de um desconhecido que não tocamos, nem sempre enxergamos, mas que se torna tão íntimo e próximo ao longo dos trabalhos.

Ser umbandista é acreditar e dar o direito do livre arbítrio. É respeitar as diferenças, é não ter “pré conceitos” e tentar entender ao invés de julgar. Ser umbandista pra mim não é ser perfeito, ser um santo, porque a perfeição pra mim não existe! Ser umbandista é tentar fazer o certo, tentar melhor, tentar ajudar a quem precisa… E mesmo que pareça impossível, ao menos tentar.

É acreditar que nada é por acaso, assim como nada vem de graça e nada é cobrado sem a gente realmente dever. É ter a certeza de que toda ação tem uma reação, afinal colhemos o que plantamos e que essa colheita não é opcional e sim obrigatória.

Ser umbandista pra mim não é só quando estou de branco e sim todos os dias da minha vida, pois eu fiz essa escolha de livre vontade.

Texto Escrito por Ana Carolina Abud 

Médium Terreiro Casa do Zé – Fev/2013

A Mediunidade de Todos Nós

Podemos nos referir à mediunidade como o canal que liga as criaturas vivas ao mundo dos espíritos. Aprofundando um pouco mais, pensamos em mediunidade como oportunidade concedida ao espírito encarnado para melhor desempenhar sua experiência evolutiva na Terra. Nesse sentido, a mediunidade é ferramenta das mais completas. Mas a pessoa só poderá se utilizar dela quando decidir se tornar um médium bem preparado. A mediunidade cumpre sua função, enquanto se desenvolve, representando avanço significativo na evolução do ser através das reencarnações.

A mediunidade é uma faculdade humana. Assim como temos memória e inteligência, temos mediunidade. Todos nós estabelecemos contatos no dia-a-dia, na maioria das vezes, inconscientemente. Crentes ou céticos usam constantemente dons naturais inerentes à condição humana para receber influência de espíritos. É ilusão acreditar que só quem trabalha incorporando tem contato com espíritos.
Quando aprimorada, com doutrina, em uma casa honesta, a mediunidade vai significar acréscimo de compreensão e proteção para os pensamentos, alegria e força para o médium e para quem convive com ele. É, na verdade, a mais eficiente e rápida forma de desenvolvimento espiritual.

Todas as pessoas, independente de serem praticantes de alguma religião, são médiuns em maior ou menor grau. No entanto, a pessoa poderá ser considerada um bom médium, conforme se tenha dedicado mais ou menos ao próprio desenvolvimento. Digo isso, porque, sendo a mediunidade uma forma de ligação com o mundo dos espíritos, há muitas pessoas exercendo sua mediunidade dando espaço a espíritos obsessores.
Precisamos desmistificar algumas coisas a bem de gerar esclarecimento e confiança para que mais pessoas possam perceber a naturalidade que envolve um fenômeno mediúnico. Encarando a mediunidade sem medo e com compreensão, é possível viver a maravilhosa e necessária integração com as entidades que nos protegem e assim facilitar a missão na terra de ambos, a nossa e a de nossos protetores. Vejamos:

1. Ao nos referirmos à mediunidade, poderíamos começar por um termo desconhecido a muitas pessoas: psicofonia. Por que começar com este termo? Porque a maioria das pessoas relaciona diretamente mediunidade com incorporação, quando, na verdade, a incorporação é um dos muitos tipos de mediunidade. Muitas pessoas simplificam a mediunidade, traduzindo-a unicamente como um dom de comunicação entre o mundo físico e o espiritual. A psicofonia, por exemplo, é uma das mais comuns formas de incorporação. É a técnica de incorporação encontrada nas mesas de Kardecismo, onde o espírito comunicante utiliza-se apenas do aparelho fonador do médium para expressar seus pensamentos e dar suas mensagens. Veja que, esclarecendo o que é psicofonia, exemplificamos que uma das formas de mediunidade mais comuns sequer é conhecida pelo de seu nome – psicofonia – à maioria das pessoas. Assim mostro o quanto se desconhece a respeito de mediunidade. São muitos os tópicos relevantes que podemos abordar sobre o tema. Religião tem fundamento e é preciso que os médiuns se instruam.

2. O espírito do médium, nas incorporações, nunca sai do corpo para que a entidade incorpore. Se isso acontecesse, o médium morreria. Por meio de treinamento para estar em estado alterado de consciência, o médium permite que se acople, ao seu perispírito, o perispírito da entidade com quem irá trabalhar. Nesse momento, começa um processo de sintonia mútua. Com constante treinamento e doutrina, o médium vai elevando seu padrão vibratório, e o espírito vai baixando o seu, para que seja possível realizar o perfeito intercâmbio. Esse processo recebe o nome de desenvolvimento. Durante um período de tempo que será maior ou menor, conforme a capacidade de entrega do médium e do exercício dedicado que fizer da humildade, este vai melhorando em sua capacidade de traduzir física e verbalmente o que a entidade vem trazer. Cada nova incorporação é oportunidade valiosa que o médium deve aproveitar para melhorar nesse sentido.

3. A mensagem do espírito sempre passa pelo pensamento do médium para somente depois ser verbalizada. Daí a importância da doutrinação do médium para que este possa traduzir, com clareza e verdade, as mensagens trazidas.
4.O médium, de forma consciente ou inconsciente, sempre saberá o que a entidade quer dizer. Isso é fundamental para que possa aprender com as comunicações.
5.Nos médiuns inconscientes, que são menos de 5%, o que é dito pelo espírito reverte-se como lição aprendida, mas o médium, quando desincorporar, não se lembrará do momento da verbalização da mensagem. Seria uma estagnação para o médium inconsciente, se ele fosse privado das lições que os outros recebem através de sua incorporação.

6. A mediunidade não se manifesta exclusivamente através da comunicação com espíritos desencarnados. Há mediunidade nos sonhos, por exemplo, nos quais recebemos informações. Não tenho nenhum receio em dizer que a mediunidade leva à ativação de dons psíquicos que, por várias razões, muitas pessoas ignoram. São dons ilimitados que ficam adormecidos durante toda a vida para a maioria das pessoas. Desenvolvendo a mediunidade de forma saudável e responsável, estaremos nos capacitando para acessá-los.

7. Conforme o que foi decidido pela pessoa antes de encarnar, a sua mediunidade de incorporação poderá não ser desenvolvida durante toda a vida. Mas, se for sua missão, caso se recuse a trabalhar, esta “explodirá”, causando transtornos na saúde, na vida sentimental e na vida profissional. Entretanto devemos esclarecer que não é a mediunidade que causa estes transtornos e sim o comportamento emocional instável de cada um, que leva a captar vibrações nem sempre boas das pessoas com quem convive e dos ambientes que freqüenta. Como conseqüência, a pessoa se indispõe com a família e com colegas. É comum atrapalhar também a saúde, tendo em vista que normalmente assumirá um estado mental negativo.

Procurei, neste texto, mostrar aos médiuns que o que a vida lhes oportuniza não é apenas uma ocupação nova na semana ou uma distração a mais. Um trabalho espiritual não é só mais um dia de sessão, no qual muitos às vezes até deixam de comparecer por motivos quaisquer: desânimo, uma festa, ou qualquer outra coisa. Um trabalho espiritual é muito mais do que um lugar em que se pode pedir amor, prosperidade e saúde. Um trabalho espiritual é compromisso e não é compromisso com o plano espiritual como muitos pensam, ou com os seus protetores. Estes já estão muito bem com a luz que adquiriram. E também não é compromisso com o diretor da casa. É compromisso de cada um consigo mesmo, com o seu crescimento, com o seu desenvolvimento e com o desenvolvimento dos seus. Por isso tudo, que fique claro que médiuns não estão prestando favor algum a ninguém além de si mesmos, quando levam com seriedade seu trabalho. E digo mais: sorte de quem tem uma casa para trabalhar que seja séria, responsável, honesta e que respeita seus médiuns.

Jorge Menezes
Visite o site: www.jorgemenezes.com

EXU: BOM OU MAU?

Exu não é bom, Exu não é ruim, Exu é neutro!

E é essa neutralidade que faz com que Exu seja tão misterioso, tão amado e tão temido!

Ele é o guardião! É ele quem guarda nossos caminhos, é ele quem luta contra o mau. Exu não tem medo, não tem meias palavras, não manda recado, é o soldado da linha de frente.

Exu representa o vigor, a energia. São os verdadeiros guardiões e verdadeiros cobradores do carma.

Exu é responsável pelos espíritos caídos, combatendo o mal e cuidando para que o astral não se desestabilize, pois Exu vai onde tem que ir, Exu entra onde precisa entrar.

Exu faz o trabalho pesado, sem medo, sem preocupação, ele corta demanda, desfaz trabalho, desfaz feitiços e magia negra. Ajudam nos descarregos e são muito bons para desobsessões tirando os espíritos obsessores e trevosos e os encaminhando para a luz ou para onde suas penas deverão ser cumpridas.

Sua aparência muitas vezes tem a função de amedrontar e intimidar. Exu pode se apresentar de maneira diversa, dependendo de onde e porque está ali. Suas emanações vibratórias são pesadas e algumas vezes perturbatórias.

Exu é quem traz as consequências do que fazemos. Exu é justo, por isso ninguém recebe mais do que merece e ninguém paga mais do que deve.

Temido e amado, alegre ou sisudo, nervoso ou tranquilo, porém sempre honesto e justo.

Assim é Exu! Laroiê Exu!!!

(Texto escrito pela médium  Ana Carolina Abud )

 

Ser Umbandista e nunca esteja Umbandista.

EU SOU UMBANDISTA!

Eu sou Umbandista…Mas o que é isso? O que é ser Umbandista?
É não ter vergonha de dizer: “Eu sou Umbandista”.
É não ter vergonha de ser identificado como Umbandista.
É se dar, acima de tudo a um trabalho espiritual.
É saber que um terreiro de Umbanda é um local espiritual e não a Religião de Umbanda em seu todo, mas todos os terreiros, centros e casas de Umbanda, representam a Religião de Umbanda.
É saber respeitar para ser respeitado, é saber amar para ser amado, é saber ouvir para ser escutado, é saber dar um pouco de si para receber um pouco de Deus dentro de si.
É saber que a Umbanda não faz milagres, quem os faz é Deus e quem os recebe os mereceu.
É saber que uma casa de Umbanda não vende nem dá salvação, mas oferece ajuda aos que querem encontrar um caminho.
É ter respeito por sua casa, por seu sacerdote e pela Religião de Umbanda como um todo: irmandade.
É saber conversar com seu sacerdote e retirar suas dúvidas.
É saber que nem sempre estamos preparados. Que são necessários sacrifícios, tempo e dedicação para o sacerdócio.
É entrar em um terreiro sem ter hora para sair ou sair do terreiro após o último consulente ser atendido.
É mesmo sem fumar e beber dar liberdade aos meus guias para que eles utilizem esses materiais para ajudar ao próximo, confiando que me deixem sempre bem após as sessões. É confiar e saber que quando a entidade for embora levará qualquer coisa que fará mal a nossa saúde, confiamos de olhos fechados nelas, afinal nos “entregamos” a elas para que possam fazer o bem!
É me dar ao meu Orixá para que ele me possua com sua força e me deixe um pouco dessa força para que eu possa viver meu dia-a-dia numa luta constante em benefício dos que precisam de auxílio espiritual.
É sofrer por não negar o que sou e ser o que sou com dignidade,com amor e dedicação.
É ser chamado de atrasado, de sujo, de ignorante, conservador, alienígena, louco. E ainda assim, amar minha religião e defendê-la com todo carinho e amor que ela merece.
É ser ofendido físico, espiritual e moralmente, mas mesmo assim continuar amando minha Umbanda.
É ser chamado de adorador do Diabo, de Satanás, de servo dos Encostos e mesmo assim levantar a cabeça, sorrir e seguir em frente com dignidade.
É ser Umbandista e pedindo sempre a Zambi para que eu nunca esteja Umbandista.
É acreditar mesmo nos piores momentos, com a pior das doenças, estando um caco espiritual e material, que os Orixás e os guias, mesmo que não possam nos tirar dessas situações, estarão ali, ao nosso lado, momento a momento nos dando força e coragem; ser Umbandista é acima de tudo acreditar nos Orixás e nos guias, pois eles representam a essência e a pureza de Deus.
É dizer sim,onde os outros dizem não!
É saber respeitar o que o outro faz como Umbanda, mesmo que seja diferente da nossa, mas sabendo que existe um propósito no que ambos estão fazendo.
É vestir o branco sem vaidade.
É alguém que você nunca viu te agradecer porque um dos seus guias a ajudou e não ter orgulho.
É colocar suas guias e sentir o peso de uma responsabilidade onde muitos possam ver ostentação.
É chorar, sorrir, andar, respirar e viver dentro de uma religião sem querer nada em troca.
É ter vergonha de pedir aos Orixás por você, mas não ter vergonha de pedir pelos outros.
É não ter vergonha de levar uma oferenda em uma praia ou mata, nem ter vergonha de exercer a nossa religiosidade diante dos outros.
É estar sempre pronto para servir a espiritualidade, seja no terreiro, seja numa encruza, seja na calunga, seja no cemitério, seja na macaia, seja nos caminhos. Seja em qualquer lugar onde nosso trabalho seja necessário.
É se alegrar por saber que a Umbanda é uma religião maravilhosa, mas também sofrer porque os Umbandistas ainda são tão preconceituosos uns com os outros.
É ficar incorporado 5, 6 horas em cada uma das giras, sentindo seu corpo moído e ao mesmo tempo sentir a satisfação e o bem estar por mais um dia de trabalho.
É sentir a força do zoar dos atabaques, sua vibração, sua importância, sua ação, sua força dentro de uma gira e no trabalho espiritual.
É arriar a oferenda para o Orixá e receber seu Axé.
É ver um consulente entrar no terreiro chorando e vê-lo mais tarde sair do terreiro sorrindo.
É ter esperança que um dia, nós Umbandistas, acharemos a receita do respeito mútuo.
É ser Umbandista mesmo que outros digam que o que você faz, sua prática, sua fé, sua doutrina, seu acreditar, sua dedicação, seu suor, suas lágrimas e sacrifício, não sejam Umbanda.
É saber que existe vaidade mesmo quando alguém diz que não têm vaidade: vaidade de não ter vaidade.
É saber o que significa a Umbanda não para você, mas para todos.
É saber que as palavras somente não bastam. Deve haver atitude junto com as palavras: falar e fazer, pensar e ser, ser e nunca estar.
É saber que a Umbanda não vê cor, não vê raça, não vê status social, não vê poder econômico, não vê credo. Só vê ajuda, caridade, luta, justiça, cura, lágrima…
É saber que a Umbanda é livre; não tem dono, não tem Papa, mas está aí para ajudar e servir a todos que a procuram.
É saber que você não escolheu a Umbanda, mas que a Umbanda escolheu você.
É amar com todas as forças essa Religião maravilhosa chamada Umbanda.

(Texto escrito por Etiene Sales)

VIDAS AMARRADAS

Conta uma velha lenda dos indios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique,  uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo…
– Nós nos amamos e vamos nos casar – disse o jovem. E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho emocionado ao ve-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
– Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada. Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte e trazê-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro Bravo – continuou o feiticeiro – deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!
Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada. No dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.
O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos e viu eram verdadeiramente formosos  exemplares.
– E agora o que faremos? – perguntou o jovem – as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue? Ou as cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? – propôs a jovem.
– Não! – disse o feiticeiro, apanhem as aves, e  amarrem-nas  entre sí pelas patas com  essas fitas de couro quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres.
O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros, a águia e o falcão, tentaram  voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do vôo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.
E o velho disse:
– Jamais esqueçam o que estão vendo este é o meu conselho. Vocês são  como a águia e o falcão… se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como tambem, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro…
Se quiserem que o amor entre vocês perdure voem juntos, mas jamais amarrados!!!

VISÃO DOS ORIXÁS

Numa praia deserta caminhava um filho de fé…

Atormentado por suas mágoas e provações,
buscava por um alento um consolo.

Buscava forças e um sinal de esperança,
para poder continuar lutando….

Olhava fixamente para as águas do mar, as ondas se quebrando, vindo do horizonte aos seus pés se esparramar.. .

Uma lágrima entristecida, cobriu-lhe a face, seu coração apunhalado pelas intrigas e maldades dos seu irmãos, já se tornava insuportável. …

Quando percebeu, já estava distante, foi quando notou
que já estava entardecendo. ..

O vento soprou em seu rosto e veio a sua intuição.

A Senhora dos Ventos, Mãe Iansã, e a saudou com alegria e sentiu suas magoas serem levadas pelo vento, a paz começou a renascer…

Olhou para o poente e viu no céu as nuvens avermelhadas, então com grande força saudou o Senhor das Demandas, seu Pai Ogum, e aos poucos o peso que lhe afligia se quebrava, e continuou caminhando.. .

Observou na beira das águas, peixinhos dourados a cintilar, foi então que seu coração se encheu de doçura e saudou Mamãe Oxum, que o abençoava com seu sagrado e divino manto…

Aos poucos, leves gotas de chuva tocaram a sua pele e a paz de espírito e o amparo que sentiu o fez lembrar-se de Nanã Buruque, que com sua lama sagrada, aliviou por completo suas dores causadas pelos tormentos materiais e espirituais, e a saudou com grande festividade.

Perdido em seus pensamentos o filho de fé, caminhava fascinado, quando de repente a brisa tocou seus cabelos e junto com elas trouxe folhas distantes, sem hesitar saudou Pai Oxossi, e pediu em sua mente que aquelas folhas lhe purificassem e o livrassem de todos os sentimentos impuros.

Sua concentração foi interrompida ao ver um raio iluminar o céu, e ouviu um alto estrondo que lhe encheu o peito de coragem.

“Kaô Kabecilê”, e sentiu a mão forte do seu Pai Xangô, então confiante, não mais sofria pelas injustiças, pois seu pai lhe protegia…

Então admirado, sentou-se a beira mar, olhou para o céu e viu uma constelação, e lembrou-se das almas benditas e dos adoráveis pretos velhos, e sem se esquecer do bondoso Pai Obaluaê, que aos poucos com seu fluido curava as chagas do seu corpo e espírito…

Fixou o olhar no céu, e nas nuvens brancas a rodear as estrelas e uma delas brilhava e cintilava, como se fosse o centro do Universo, então humildemente, nosso irmão de fé agradeceu a Pai Oxalá por ter lhe dado o Dom da Mediunidade e poder levar alento e paz aos irmãos necessitados.

Então um perfume exalava de dentro do mar, eram rosas perfumadas que chegavam até ao seus pés, e foi ai que avistou Mãe Iemanjá, seu coração não se continha de tanta alegria, sua mãe o amparava e o confortava, e veio a sua mente…….
“A elevação do filho de fé….
Não está na força ou sabedoria, mas sim em seu coração…
Porque ele pode saber pouco ou não ter força alguma.
Mas sente a essência e o fundamento da verdadeira Umbanda…
Paz, Amor e Caridade!!!”

 

AUTORIA DESCONHECIDA  (Autor, por favor, se manifeste.  Deixe-nos parabenizá-lo pelo lindo trabalho!!!)

 

Umbanda é….

“Umbanda é sentir o coração bater forte com o grito do caboclo. É deixar as lágrimas rolarem aos pés do Preto-Velho. É perceber o corpo arrepiando ao repique da curimba na chegada de Ogum. Umbanda é emoção, é vida, é mudança de atitude e de valores. Umbanda é Paz de espírito, é Liberdade, Superação e Convicção. Umbanda é fazer de novo fazendo diferente. Umbanda é Caridade, pura e simples. Umbanda é coisa séria, para gente séria…”

Salve Sr. Exu da Capa Preta

O ônibus estava lotado, eu não conseguia vê-la, mas sabia que estava lá. Podia senti-la, captava sua angustia, sua indecisão, e acima de tudo seu medo. Ela não estava só, alem de mim, vi outros que a acompanhavam. Eram de outra faixa vibratória, pertenciam ao passado.
Tentavam envolvê-la com uma energia densa e pegajosa. Sempre que faziam isso ela ficava mais nervosa e também mais decidida. Eu os via, mas eles não me notavam. À medida que o ônibus avançava pelas ruas centrais mais e mais pessoas entravam. Todos apressados para chegar em casa. O coletivo corria em direção a periferia da cidade. Ela esta lá, meio deslocada, olhava com insistência um pedaço de papel. Ali em suas mãos o endereço que segundo ela mudaria seu destino. Ato continuo ela toca a campainha, o ônibus para, descemos… Aqueles que a acompanham, vibram, ela esta na iminência de servir como instrumento na vingança que planejam há muito tempo. Vibram com tanto ódio que ela enfureceu-se consigo mesma. Como se deixara envolver por aquele rapaz? Tinha que resolver isso imediatamente e tratar de seguir sua vida, sem que seus pais soubessem. Ela verifica o numero anotado, esta perto. Chega a uma casa humilde, como todas as outras ali no bairro. Toca a campainha é atendida por uma senhora que executara o serviço. A mulher a analisa rapidamente, já vira muitas iguais a ela, não tem tempo para conversa fiada.
Pede-lhe o dinheiro e manda que espere, pois existem duas mulheres na frente dela. Ela senta-se e aguarda. Eu tenho que agir rápido. Vibro minha espada no ar, e os seres trevosos que a acompanham estarrecem ante minha presença. Fatalmente eles me notam,agora ou correm ou me enfrentam. Decidem sabiamente pela primeira opção, saem da casa, mas ficam do lado de fora, tentando contatar outros que podem vir ajudá-los. Aproveito para me aproximar dela. Envolvo-a com minha capa, ela se acalma, por um instante, sugestionada por mim e titubeia. Já não tem certeza se deve continuar. Eu vibro em seu mental para que saia dali vá tomar um ar fresco lá fora. Ela me atende. Quando chega, ainda envolvida por minha capa, torna-se invisível para os que a acompanham. Tenho que me materializar. Ela assusta-se a me ver, tenta gritar não consegue, tenta voltar para dentro da casa, mas eu a impeço. Chamo-a pelo nome, digo-lhe que não deve me temer, falo que venho em paz. Tenho uma missão: Evitar que ela faça o aborto. Não deve impedir aquele espírito de vir ao mundo. Pouco importa se a concepção fora fruto de uma aventura. Deve deixá-lo vir. Será um menino, veio do passado para cumprir uma missão, ela não deve abortá-lo. Sei que seus pais não aprovarão a gravidez, mas me comprometo a acalmá-los e fazê-los aceitar. Ela chora, não entende como pode estar ouvindo aquilo. Falo com tanta firmeza que ela quer saber quem sou. Digo-lhe que me chamam de Exu Capa Preta, sou um guardião, protegerei o menino que ela carrega no ventre. Estarei ao lado dele a vida toda, acompanhando-o, guiando-o e protegendo-o. Portanto ele não deve temer. Chorando ela consente, avança para a rua, toma um ônibus e retorna para casa. Protejo-a durante a gravidez, o menino nasce forte e saudável, cresce sem sobressaltos como prometi. Sempre que acho conveniente deixo-o que me veja, aos poucos vou me apresentando. Hoje ele esta feliz, acabara de completar 18 anos.
Seus amigos comemoram a data festiva. Movido pela curiosidade o rapaz resolve conhecer um terreiro de Umbanda. Estou ansioso, chegou meu grande dia! Ele chega, senta na assistência. Lá dentro uma gira de Exu. Eu já me entendi com o Exu chefe da casa, somos bem vindos. Quando ele entra para tomar um passe com linda Pomba Gira eu tomo-lhe à frente e incorporo. Abraço a moça com carinho, já nos conhecemos de longa data, fumo, bebo, canto. Daqui para frente haverei de incorporar sempre que necessário. E assim foi. Ele desenvolveu, abriu seu próprio terreiro, cumpre com amor e carinho sua missão. De minha parte não o abandono nunca. Estou sempre disposto e feliz, pronto para incorporar. Através dele ajudo a todos que me procuram. Também trago em terra outros que vêem cumprir a missão.
Sua mãe sempre que estou em terra me abraça com carinho e gratidão.
É a primeira a saudar Capa Preta. Missão cumprida!!! Laroie Exu.

O Filósofo e o Preto Velho

Certo dia, um filósofo adentra a uma tenda de umbanda e senta-se no banquinho de um preto velho. Sua intenção era questionar, investigar; enfim, experimentar. Ao se sentar, o preto velho já sabia o que ele queria, mas mesmo assim saudou-o gentilmente e perguntou em que poderia ajudar.

O filósofo respondeu:
Meu preto velho, na era da biotecnologia vemos os cientistas avançarem cada vez mais nas pesquisas referentes à manipulação do material genético humano. Além disso, estamos na era do multiculturalismo, de forma tal que a diversidade, inclusive no sentido intelectual, se faz cada vez mais presente.

Pergunto eu: o que pode um preto velho dizer sobre assuntos de tamanha complexidade?Preto Velho, com toda sua calma, respondeu gentilmente ao filósofo:Misin fio, vós suncê (Sic) tem palavra bonita na boca, por causa de que tu és homem letrado (Sic). Nego véio cá, num estudou nem escrevinhou essas coisa. Mas daqui do meu cantinho, aonde os ventos de Aruanda tocam em meus ouvidos, recebo as notícias que vem da Terra. Vejo também com meus próprios olhos e presencio as lágrimas e sorrisos que brotam como flores e espinhos no âmago de meus filhos.  Vou dizer a vós suncê uma coisa. Esse bicho chamado “biotecnologia”, eu sei muito bem como funciona. Misin fio, [bio] vem do grego “bios” = vida. ”Téchne” e “Logos” também vem do grego, fio. Logo, biotecnologia é o conhecimento sobre as práticas (manipulação) referentes à vida. Assim sendo, nego véio é a favor de tudo que respeita a vida e que é usado para o bem. O bem, não só de si mesmo, mas da humanidade. Uma faca pode ser uma ferramenta de cozinha e ajudar a preparar um alimento. No entanto, a mesma faca pode ser uma arma a machucar alguém. Não é a ferramenta, mas sim o que se faz com ela que torna perigosa a humanidade.Pasmo, o intelectual não sabia o que dizer, tamanha sua surpresa sobre tão sábias palavras. E não só isto, o conhecimento até sobre a origem das expressões que vem do grego, aquela humilde entidade possuía. Por alguns segundos sentiu um misto de inveja e indignação, uma vez que pensou ser mais conhecedor sobre as coisas da vida que o Preto Velho. Daí então indagou:

Você acha que suas opiniões podem superar a luz da ciência?

Este, respondeu:

Fio, o que nego véio fala, nego véio comprova, pois este nego vivenciou. Caminhou na terra que vós suncê pisa hoje. Sorriu, chorou, se emocionou, amou. Conviveu com homens de bem e também com homens do mal. Fez suas escolhas e por isso é hoje um espírito guia. E só pude aqui chegar porque acertei na maioria das escolhas que fiz. Naquelas em que não acertei, tive que vivenciar novamente, até aprender. Ass im como vós, na Terra. Quanto aos estudos (risos), esse nego véio aqui não frequentou escola na última encarnação. Mas, das muitas encarnações que tive, eu estudei, me formei e, em algumas delas me doutorei. A medicina chinesa, a filosofia grega, a sabedoria hindu; tudo isso fez parte da minha evolução. Da matemática egípcia até os estudos astronômicos de Galileu pude aprender.

E depois de aprender tudo isso, sabe qual o maior ensinamento que obtive misin fio?!

A ter HUMILDADE.

Por isto, doutor, vós me vês na aparência de um velho escravo brasileiro, semeador das raízes deste lindo país chamado Brasil, terra da diversidade, da multi culturalidade.

Que cada um formule a sua moral da história. Porém, questione seus conhecimentos e veja se estão alinhados com os propósitos de simplicidade.  Pois sem ela, não se faz jus a benção do saber.
(Autor Desconhecido)